Eu mesma senti isso na pele uma vez quando tentei participar de uma aula sobre a Alemanha. Tentando mostrar que já tinha ouvido falar sobre o assunto nazismo, mencionei que vira na televisão um filme sobre uma moça alemã que escondeu judeus em casa e assim salvara a vida deles. Eu não me lembro o nome do filme. Meu professor disse secamente que nós não deveríamos ver esses filmes que mostravam alemães salvando a vida de pobres judeus, pois eles eram tendenciosos. Obviamente, naquela época não entendi muito bem o motivo dessa "proibição", entretanto, hoje entendo muito bem.
Naquela época, o filme mais famoso sobre o Holocausto era "A Lista de Schindler", juntando A + B poderíamos pensar, do alto dos nossos 12, 13 anos que todos os alemães fizeram das tripas coração para salvar judeus em apuros e realmente não era essa a ideia. Alguns alemães podem sim ter arriscado a sua vida para esconder judeus em perigo, mas em contrapartida, quantos outros alemães apoiaram o nazismo? Quantos viam os judeus desaparecer sem se questionar para onde estavam indo? Quantos sabiam do extermínio praticado nos campos? Pesquisas recentes mostram que, ao contrário das versões que dizem que as atrocidades nazistas eram desconhecidas da maioria da população, a sociedade alemã tinha acesso a essas informações por meio da imprensa.
(Para entrevista com o autor, ver o link: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/os-alemaes-sabiam-e-aplaudiam-atrocidades-do-nazismo)
Hoje, professora, estava justamente discutindo com outra professora de História esses dias, como os assuntos Segunda Guerra Mundial e Holocausto interessam os alunos do ensino fundamental. Eles questionam e trazem referências anteriores sobre o assunto vista, sobretudo, em filmes. Comentávamos até que esse interesse todo merecia um estudo.
"A Onda" é um filme espetacular justamente por mostrar uma experiência educacional - que a princípio teria tudo para ser bem sucedida para explicar o fenômeno do nazi-fascismo. O objetivo era mostrar na prática aos alunos como funciona o mecanismo de envolvimento dos regimes totalitários e evidenciar como esses regimes buscavam não somente subjugar as pessoas, mas, sobretudo, conquistá-las.
O filme é baseado em uma experiência ocorrida na Califórnia em 1967. Tal experiência já tinha dado origem a livros e a um documentário. Ganha agora, a versão do cinema alemão, que vem produzindo filmes espetaculares para reflexão sobre fenômenos da história recente, tais como "Adeus Lênin" e "A vida dos outros".
Ao tentar explicar para seus alunos o funcionamento de um regime autocrático, o professor de ensino médio Rainer Wegner (Jürgen Vogel) é questionado por eles sobre a possibilidade de um regime como o nazista ascender nos dias de hoje. Rainer propõe uma experiência de forte cunho teatral: cria um grupo e torna-se o líder dele. Logo, o grupo ganha um nome "A Onda", uniformes, um slogan e é aí que as coisas começam a fugir do controle. Os alunos, envolvidos com "A Onda" começam a praticar atos de vandalismo, bem como agressões e coação aos alunos que não pertencem ao grupo. Quando o professor tenta encerrar a experiência, é tarde demais.
É um filme que vale a pena ser assistido por professores juntamente com seus alunos, ou não e suscita questões filosóficas acerca da necessidade de pertencimento, a tendência humana a abrir mão da liberdade em prol de uma causa e a intolerância, assunto tão em voga nos dias de hoje em diversos países, dentre eles o Brasil.
Por fim, deixo o discurso do professor Rainer Wegner, proferido no filme como fonte de reflexão:













